Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Redefinindo o racismo

Estaria a ser racista se achasse que o racismo existe, apenas, entre humanos?

O racismo é, em definição, um conjunto de preconceitos de/para a raça humana, e manifesta-se, sobretudo, em resultado de diferentes traços físicos dentro da espécie, mas também pelas diferenças de carácter, de cultura, de formação, de... tudo.

Não estaremos a ser racistas quando abandonamos o nosso cão numa floresta a kms de distância? Ou quando pegamos nas nossas espingardas para um fim-de-semana de caça com os amigos? Ou quando pontapeamos o nosso gato por ter arranhado o sofá novo? Ou, ainda, quando assistimos e aplaudimos ao movimento técnico do cavaleiro na execução da última bandarilha com destino a um touro... cobardemente desvirtuado à lei da força? Não julgo, só, tenho a certeza: estamos!


A definição acima, inventada aqui e agora, é ela própria uma expressão discriminatória, por motivos óbvios, e apesar de não a considerar errada parece-me seriamente incompleta.

Podemos tentar redefinir «racismo».
E, talvez, «anti-racismo».



Votos de bom fim de semana, a todos aqui, extensível a todos noutros blogs de Amigos.

João José M.Tomásio ;)

25 comentário(s):

zeus disse...

Viva;
Aí está um pormenor que muito pouca gente se lembra, os actos que se cometem contra os animais, afinal, animal é raça e raça é palavra mãe, derivando depois para racismo. Existe e existirá nas mentes mais retrógadas o racismo humano, nas mais diversas formas de manifestações, mas de facto o racismo contra os animais é sem dúvida mais atroz, mais visível e infelizmente...menos punível.
A tourada é em si um acto cobarde e isso ficou recentemente provado. Ao descer do cavalo e ao enfrentar o touro mano a mano, aconteceu o que aconteceu a João Salgueiro (http://www.youtube.com/watch?v=qJh2dXx73bA). Sentimento de pena? Não, não tive. Justiça? Sim, foi feita...depois de uns quantos ferros espetados covardemente no lombo por um homem protegido pela altura de um cavalo para gáudio de uma assistência propositadamente distante. Ainda num passado mais recente...numa terreola com as mesmas tradições animalescas que Barrancos, foi morto um toiro num recinto. A população ficou enfurecida quando percebeu que uma câmera de televisão filmava o sucedido e correram de encontro ao "camera man", tapando a câmera com as mãos e proferindo palavras insultuosas contra quem estava correctamente a exercer o seu trabalho, enquanto o toiro...esse dava os últimos suspiros, já deitado na arena, rodeado de parolos da aldeia. Questionado sobre o assunto, um dos organizadores diz na sua maior calma o procedimento que se seguiria: o autor da estucada fatal seria notificado e pagaria uma coima pelo acto cometido. Palavras para quê? É este o país em que vivemos, é esta a realidade dos factos, são estes os direitos dos animais...é este o Racismo, no mais verdadeiro sentido da palavra...racismo que mata.

maxmen disse...

Boas...

De facto esse vídeo do João Salgueiro deixa um sentimento enorme de justiça feita no reino animal.
O que me deixou mais espantado (ou não...), foi encontrar uma gravação no menu de vídeos relacionados com esse do "nobre" toureiro no youtube, com o título: "RACISMO: Agressao de skinhead a uma muida de 16 anos"!!!

Fórum "notícias" disse...

Como se não houvesse já suficiente crueldade para com os animais em Portugal, como nos diz o amigo Zeus, ainda há quem esteja empenhado em importar os rodeios para o nosso país. A mais escandalosa de entre todas as tentativas para introduzir este espectáculo bárbaro em Portugal foi o “1.º Rodeio Europa”, no Queimódromo do Parque da Cidade do Porto. Tratou-se de um mega-rodeio organizado pela "BB Produções" com animais vindos do Brasil. O mais chocante nesta situação é que este rodeio foi apoiado pela Câmara Municipal do Porto e pela Porto Lazer, uma empresa municipal. Isto significa que o dinheiro dos nossos impostos foi utilizado para a realização deste espectáculo abjecto: para proveito daqueles que retiram prazer da violência gratuita sobre vítimas indefesas e para encher os bolsos dos organizadores.

Os animais utilizados nos rodeios não são animais selvagens, são animais criados em cativeiro, que se comportam como qualquer outro cavalo ou boi de cativeiro.
A essência do rodeio consiste em fazer o animal ter um comportamento aparentemente selvagem de modo a dificultar a montada, e isso consegue-se de uma só forma apenas: aplicando violência física extrema e levando os animais a uma situação de terror psicológico.

No caso das touradas, o único argumento totalmente descabido que os seus defensores conseguem apresentar é o argumento da "tradição", no caso dos rodeios, que justificação poderá haver para importar esse espectáculo bárbaro e degradante para Portugal?

Darwin disse...

Considerado hoje como uma violação dos Direitos Humanos, o racismo tem marcado consideravelmente a história da humanidade.
O racismo reveste-se de várias formas nos diversos países, consoante a sua história, cultura e outros factores sociais. Uma forma relativamente recente de racismo, por vezes denominada “diferenciação étnica ou cultural”, defende que todas as raças e culturas são iguais, mas não se deviam misturar, de maneira a conservar a sua originalidade. Não há nenhuma prova científica da existência de raças diferentes. A biologia só identificou uma raça: a raça humana.
A importância que o homem dá à cor da pele do seu semelhante, é deveras preocupante. Na realidade, em muitos casos a diferença da cor da pele é uma barreira muito mais determinante para a comunicação entre as pessoas do que a própria diferença linguística, isto pode ser considerado um fenómeno anti-natura, uma vez que não vemos na natureza os animais minimamente preocupados com as diferenças de pelagem ou penas.
Para muitos de nós não é a “raça” que está na origem do racismo, mas sim o contrário. Frase provocatória? Sem dúvida. Mas pedagógica na sua intenção. A capacidade de classificar e discriminar é humana e provavelmente nunca nos veremos “livres” dela.
Claro que concordo que estaremos a ser racistas, quando usamos violência gratuita sobre animais.

otalqueeraejánãoé disse...

Forum notícias, a sua notícia deixa-me chocado pois não tinha conhecimento. De facto é uma atrocidade. Eu não entendo como é possível judiar de seres vivos, que também respiram como nós, reproduzem-se como nós, sentem como nós. Outro exemplo deplorável e que apenas está citado no POST é a caça. Penso que ainda consegue ser pior que as touradas. Matar por prazer? Isso não ser caçador...é ser assassíno, independentemente do que se está a matar.

slatkavoda disse...

Olá a todos,

Ora aí está um tema interessante da sociedade actual, mas não falo de racismo pelo conceito em si pré-estabelecido com as suas diversas teorias desde a escravatura à raça ariana ao social de Darwin, ou por ultimo ao Apartheid na África do Sul.
Estamos então perante um quadro de cores tão vivas que nos ferem os olhos, pior, não temos como nos desviar. Ao caminharmos não nos conseguimos desviar, porque ele está à nossa frente, nas mais diversas situações.
Definir ou redefinir racismo… NÃO, isso é pouco. Definir comportamentos, mentalidades, educação mediante o nosso estatuto e função nesta sociedade…SIM.
A incapacidade de compreensão de aceitação baseada no preconceito da discriminação para a justificação dos actos a contínua falta de cultura intelectual, educacional demonstra que só mesmo a inferioridade das pessoas o complexo a frustração levam ao
racismo do quadro quotidiano.
O caso torna-se grave quando começamos a presenciar situações de base com os nossos filhos, por exemplo nos infantários com crianças de 3, 4, 5, e mais anos de idade que disputam entre si a superioridade, o trabalho dos pais, as marcas, o delimitar de território, etc. Sabemos o quanto as crianças são “mazinhas” umas com as outras, mas também sabemos da sua inteligência e esperteza na captação das expressões vindas de casa. Isto é grave, porque se continua a crescer com esta mentalidade comportamental.
Acabamos por ser o objecto de teorias sociais, educacionais e comportamentais perdidos num existencialismo do mais fútil e perverso que há.
As minhas desculpas às mentes mais educadas e em comportadas.
Darwin desculpa lá, escolhe outro nick antes que comeces a ser visado pelas tuas teorias, LOL.
Sabes é que comprei um frigorífico novo, como dizem os meus filhos foi uma “piadola” fresca.
Ah, Ah, não escapas também ó Eng.ª das pintinhas começa a dissertar sobre o racismo no Lab.

Estou a gostar
Bjs a todos.

Tudo Isto Existe disse...

Ora sejas bem-vindo, Maxmen, que surpresa boa a tua presença. Obrigado por estares aqui, o fórum está, agora, ainda mais rico.
Não sei se serão mais que 5 bloggers, mas pelo menos 5 são de certeza; são poucos mas são bons, e em primeiro está a qualidade, só depois a quantidade. Tudo gente boa e, todos, pessoas com opinião formada, o que é muito importante.
Parabéns a todos e.. continuemos

JJMT ;)

Tudo Isto Existe disse...

Slatkavoda, é muito bom o teu comentário, muito bom e muito sensato. Tenho, também, a opinião que os comportamentos, a mentalidade, a educação etc, careçam de (muito) pragmatismo e lucidez, enfim, de redefinição, e para tal parece-me fundamental que se entenda previamente os «ses» e todas as questões que condicionam a evolução destes factores. E aqui se enquadra o racismo, neste caso concreto, abrangente.
Muito boa, reforço, a tua percepção sobre o assunto.
A forma como os humanos desenvolvem o «Eu», bem como a forma como assimilam e processam o «Sociedade» é, em muito, como diz o Darwin, na sua «frase provocatória» e, em boa verdade, elucidativa; a capacidade de classificar e discriminar é humana.

JJMT;)

Escorpião disse...

Exemplos de racismo existem em muitas situações e apesar de tudo pode ensinar-nos a ser mais humanos. Pena que nem todos aprendam a lição.

Anónimo disse...

ponteamos um gato porque é um animal parvo...

o que é que isso tem a ver com o racismo??
"O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo

....

Escorpião disse...

Anónimo é pá obrigado aí! Já tu não és parvo nenhum pois acabaste de descobrir a Roda!

mandrake disse...

ó anónimo...cabecinha pensadora, hein?

zeus disse...

Slatkavoda...concordo com grande parte do seu comentário mas no que toca à parte dos nossos filhos, aí discordo plenamente. O facto de uma criança ir para a escola enaltecer marcas, as profissões dos pais, delimitações territoriais etc, não implica repetição de expressões provenientes de casa. Não digo que uma ou outra não sejam, afinal são crianças e é normal que isso aconteça, mas na sua generalidade não. As crianças são originais, desprovidas de vícios maus e as coisas que fazem, fazem-no genuina e inocentemente. O chegar à escola e dizer que o pai é que é bom, ou que a roupa dele com o Rato Mickey é que é "fixe" e outras situações idêncticas, só demonstram traços de personalidade próprios da fase da vida em que se encontram. Não acredito que o façam porque o pai ou a mãe o dizem em casa. Não quero generalizar isto, mas penso que uma grande parte das crianças são assim. Bom comentário o seu. Espero que continue por cá.

slatkavoda disse...

Bom Dia,
Zeus:
penso que uso uma linguagem simples, directa e acessivel a todos, porque de "iluninada" tenho muito pouco.O exemplo dos "nossos filhos" não foi o particularizar da questão. Quando vi o comentário, pensei enganei-me no tema da conferência ou quem sabe, confundi a porta do congresso. Mas não. Serve isto para dizer das linguagens que nos separam, mesmo quando usamos um mesmo português em que a linguagem está..."na música". Utilizando o cliché habitual "as crianças são o melhor do mundo". Para mim são, mas também temos que saber avaliar os seus comportamentos. Antes das crianças dizerem o sim, treinam, com um afinco elogiável... o não. Eu adoro a sua inteligencia, a forma como nos contornam e se não tivermos a psicologia necessária a um movimento de linguagem que os faça entender eles dominam, e fazem-no com uma subtileza admiravél. As crianças são de uma condescendencia imponente perante os desvarios dos pais, sobretudo, porque é com estranheza que reparam como os pais usam muitas vezes as palavras. Pior as crianças sentem que há qualquer coisa de marciano nos adultos quando, nem sempre com carinho, descrevem as suas produções como se estes pequenos seres lhes estivessem a dar... musica e, depois, não percebessem as pautas, os compassos, ou as "notas" da gramatica universal da lingua humana que as crianças já dominam e que muitos adultos,teimosamente, tentam iludir. O mundo pertence-lhes, mas o seu mundo deveria ser mágico e tudo o que os rodeia tambem. Infelizmente para a maioria delas, vivem no mundo adulto, onde as crianças não vem de paris no bico da cegonha e onde o pai natal não existe, existe sim uma realidade dura, crua, de valores perdidos de comportamentos e mentalidades vazios onde as crianças tudo captam devido como disse á sua soberba inteligencia daí muitas delas adoptarem comportamentos semelhantes aos maus exemplos que têm de base. Não foi minha intenção visar as crianças ou particularizar a questão. Acima de tudo porque eu sou uma criança grande e prezo muito, mas muito o meu lado infantil do qual não quero abdicar, em que já sou chamada à atenção pelos meus filhos, e espero que tenhas um lado assim tão bom quanto o meu no mundo maravilhoso das crinças.
Ah,Ah, eu gosto delas "mazinhas", traquinas para lhes poder fazer "maldades" e divertirmo-nos imenso.

Um bom domingo
bj

zeus disse...

Slatkavoda...pontos de vista diferentes, contudo, concordo em absoluto com o que diz. Da mesma maneira que não particularizou nada em específico, eu também tentei não generarlizar, aliás...refiro-no no final do meu comentário.
No entanto, só falei daquela parte das crianças dizerem o que ouvem em casa e aí, continuo com a minha opinião. Lá está...é o tal português! Quanto aos valores perdidos que refere no último comentátio, é uma verdade absoluta. Um bom Domingo também para ti :)

zé dos plasticos disse...

Racismo é a manifestação do carácter «hitleriano» que há em nós.
Eu não sou racista, não me incomoda nada que seja um branco, um preto ou um amarelo a comprar-me os artigos na banca de feira. Fora de brincadeiras, até pode ser um vermelho às riscas, um cinzento amarelado, um amarelo acinzentado, um cor-de-rosa, um gay, um de 3 braços ou uma tetuda com um decote até ao umbigo, pouco me importa.
Claro que tenho preferência pelos de 3 braços, não sou nenhum hipócrita e só me fica bem admiti-lio, e as razões são óbvias. Agora, não me considero racista por isso, porque no meu interior sei que as razões da preferência são económicas e nada mais do que isso. Como prova disso mesmo, é a minha total concordância em receber na minha banca clientas tetudas com decote até ao umbigo, e principlamente aquelas que manifestam interesse nos artigos colocados na parte de baixo da banca, assim mais junto ao chão, e aqui também as razões são óbvias.
Como podem ver, não sou racista. Sou sim comerciante, que são coisas completamente diferentes, apesar de eu também não gostar de fazer comparações.
O único senão em que possa ter uma réstea de racismo é por todos os bichos e insectos avoadores, como moscas, melgas e mosquitos, traças, bichos da madeira, lagartas do pinheiro… entre outros. A esses eu tenho uma mensagens para eles: vão picar para outro lado.
Está bem que têm a sua utilidade na natureza, mas eu não estou agora para servir de refeição a parasitas destes, e muito menos para estar sempre a coar a sopa por causa das suas experiências de aterragem, ai não estou não.
Na tenda, aos 14 e aos 31, não abdico da minha arma secreta eficaz e legal para combate a estes parasitas voadores: A minha saca plástica cheia de Á… ÁLTO! Se eu disser o que está lá dentro ela deixa de ser secreta. Não pode, querem saber venham dia 31 ao largo da feira de Portomar, rua 3 talhão 13, em frente à tenda de CD’s do Zé Pirata, e comprem. Não é preciso terem 3 braços nem serem tetudas com decote até ao umbigo para comprarem.
Esta arma está reconhecida como eficaz e ecológica quando em acção, é amiga do ambiente (se não for colocada no lixo), e o kit vem composto por 3 exemplares, com 3 fios de sizal, 6 remendos para pequenos furos e 3 garrafas de litro e meio de água da fonte, embalada em seguras e protectoras embalagens Tretatraque para melhor conservação dos agentes hídricos actuadores.
Não duvidem, mesmo em casa tenho vindo a utilizar esta tecnologia para espantar a bicharada que recentemente se deu conta de três toneladas de pêssegos madurinhos que tenho lá para vender na próxima feira de 31. Até agora está a ser eficaz, apesar de se notar de dia para dia uma afluência cada vez maior de insectos, o que mostra bem a capacidade da arma… não é preciso ter um curso para perceber que, os bichos que antes não conseguiram atacar a fruta, por efeito da Saca, foram abandonando a área para ir chamar reforços a outras paragens…
Enfim, é a eterna luta.

Cumprimentos a todos.
Zé dos Plásticos

al-Khawarizmi disse...

A diferenciação é algo que se vai desenvolvendo como parte integrante da educação que cada indivíduo recebe durante toda a vida. É em casa, principalmente, que se «aprende» e desenvolve essa capacidade, porque é em casa que todos os indivíduos têm as suas raízes. Claro, o exterior também educa; aprende-se, com a convivência em sociedade, o bom mas também o mau, já que é aí que se tem contacto com pessoas dos mais variados sistemas familiares. Ainda assim, e tenho a certeza disso pela minha experiência enquanto filho e enquanto pai, é no seio da família que se refina a educação, isto é, é entre paredes que se pratica a «diferenciação», mas a do que interessa e do que não interessa, sempre com base em alguns princípios que são o alicerce para qualquer situação: o amor, a tolerância, o respeito e a liberdade, sem querer generalizar.
Racismo é, então, o produto de um sistema familiar que não sabe filtrar as influências vindas da própria sociedade.
O que as crianças fazem ou dizem na escola é, e em muito quanto a mim, reflexo do que se diz em casa, e precisamente porque as crianças são genuínas e inocentes. Mas o grave da situação nem está aí, e também sem querer particularizar, parece-me mais importante as situações de negligência (dependendo, obviamente, de lar para lar), multiplicando-se os casos de desvalorização de situações, por comodidade ou outras razões em moda, e em que os progenitores deveriam intervir e não o fazem. Daqui resulta que, na sua ingenuidade, muito do que as crianças erradamente assimilam é fruto do silêncio assertivo dos pais.

Em relação aos animais, dou-vos um exemplo, aqui de casa:
Podemos deixar que o gato (ainda muito pequeno e há pouco tempo connosco) durma na cama, ao lado da bebé, sem vigilância, só os dois sozinhos no quarto a dormir. É um risco? É, claro. E daqui podem resultar duas situações, ou o gato se porta bem e os dois fazem o sono normalmente, ou a presença do gato é nociva para a bebé, seja por a arranhar em brincadeira seja por passear por cima dela, deixando pêlos.
Ora, o risco está, efectivamente, em não valorizarmos estas possibilidades, nocivas, mas outras, imprevisíveis; a verdade é que, se nunca os deixarmos dormir juntos nunca vamos saber se o gato é tolerante com o bebé. É um risco, que na realidade é controlado a cada 2 minutos, é verdade, mas ainda assim um risco.
Mais, se o gato arranha a bebé, podemos nós voltamo-nos contra ele e pontapeá-lo por o ter feito, e aí estaríamos a ser duplamente estúpidos, isto é, estúpidos por o ter posto lá sem contar com os riscos e estúpidos por lhe bater, sabendo que quando lá o pusemos havia o risco. Isto é, nem o gato tem culpa de ter sido posto lá (mas nem que tenha ido para lá por iniciativa própria – se não o consentirmos estaremos a ser negligentes ao não o retirar), nem nós podemos infligir-lhe dor física como forma de castigo ou de o educar. Não podemos nem ganharíamos nada com isso, apenas se conseguiria incutir medo ao animal.

Bom, fiquem descansados, a bebé dorme tranquilamente, o gato também…

Quanto a caça e tourada há uma palavra que descreve estas formas primitivas de «desporto»: cobardia…!
É que nem se pode chamar de «animais» aos seus praticantes, porque isso seria ofender todas as outras raças que não a humana, e nem os animais matam por divertimento;
Sim, caça, tourada e outras formas de provocar dor a animais são deploráveis.
Às vezes chego a evidenciar que, quer gatos quer cães, conseguem ser mais «humanos» que nós…

Fórum notícias disse...

Gastão, o cão de Paulo Portas, recebeu na sua casota, inspectores da PJ. Tratou-se de uma busca. Falava-se de uma oferta duvidosa de 6 latas de borrego de Friskies feita a Gastão. A PJ considerou haver indícios para uma investigação. A Friskies já negou financiamentos ao CDS e a quaisquer canídeos dos respectivos dirigentes.
António Friskies, Director-Geral da empresa afirmou: “A minha empresa apenas organizou o catering do jantar dos 34 anos do CDS-PP”.

Anónimo disse...

eh pá zeus, desde quando é que a roupa do rato mickey é fixe?

zeus disse...

anónimo...desde que o meu filho começou a usá-la e eu passei a dar mais atenção ao bicho. Pq? Não gostas do Mickey? Isso é racismo!!!

Anónimo disse...

Eu não sei quem está por detrás do nick forum notícias, mas que é engraçado, lá isso é.

Darwin disse...

Slatkavoda,
Escolhi o nick de Darwin, como poderia ter escolhido Huxley, Dobzhansky ou Gould.
Charles Darwin foi, sem dúvida, um dos mais importantes pensadores de todos os tempos. De facto, ao longo de toda a sua vida, Darwin nunca foi um bom observador de pessoas, tenho sido, no entanto, um excelente observador de objectos e animais.

A sua obra não se resume à “Origem das Espécies”, desenvolveu diversas teorias e ideias controversas. A sua paixão pela natureza, tornou-me seu admirador, embora concorde com grande parte das suas teorias, não quer dizer que concorde com tudo o que escreveu.

Mas fico-me por aqui, porque este não é o tema. Mas seria um bom tema de discussão, falarmos de Natureza, metabolismo celular e sobre filosofia da ciência.

slatkavoda disse...

Darwin....sentido de humor, não?

Por mim podemos debater o que entenderes e achares oportuno.
pegando numa das tuas sugestões gostaria que me falasses da co-relação entre metabolismo celular e anafilaxia ao latex.

escorpi~ disse...

Racismo no desporto?!... passo a relatar:

Após o derradeiro jogo do Euro2004, um jornalista abandona o estádio e dirige-se à Segunda Circular onde havia estacionado a sua viatura.

Ao galgar os rails, apercebe-se de uma cena de salvamento, ali, naquele mesmo instante;
Um adepto de Portugal acabava de salvar uma senhora, já velhinha, conseguindo no último instante puxá-la pelo braço e arrastá-la para trás, e assim evitar aquilo que seria um atropelamento certo.

Depois de encaminhar a senhora por entre o transito frenético e de a por a salvo, do outro lado da via, o adepto foi abordado pelo jornalista:

- «O que você acabou de fazer é um acto louvável e que merece uma referência no jornal em que colaboro.»
(adepto):-«Ora essa, senhor. Eu só ajudei uma velhinha».
(jornalista): «Você deve ser benfiquista, não? Já estou a ver a notícia: “ADEPTO DO BENFICA SALVA IDOSA»
(adepto):-«Não sou benfiquista, não senhor!... Eu… »
(e o jornalista interrompe):-«Ah! É sportinguista. Já estou a ver: ”ADEPTO DO SPORTING ACODE A IDOSA EM APUROS”»
(adepto):-«qual sportinguista, senhor…! Eu sou…».
(nova interrupção do jornalista):-«Não diga mais nada. “ADEPTO DO PORTO ESPANCA VIOLENTAMENTE VELHINHA JUNTO AO ESTÁDIO DA LUZ”»

Darwin disse...

Slatkavoda, gostei do teu comentário. Penso que a primeira célula viva é a culpada disto tudo.

A vitamina C é muito boa para o Metabolismo Celular.

Para a anafilaxia ao látex, existe uma pomadinha anti-alérgica na farmácia da esquina que é óptima.