Os números da Segurança Rodoviária são, sem reserva de dúvidas, o aspecto mais assustador através do qual se manifesta o civismo – ou a falta dele – em Portugal.
Já lhe chamaram «uma espécie de guerra civil», o que não é desapropriado face ao número de pessoas que anualmente perdem a vida nas estradas ou em resultado delas.
Já foi pior, é um facto, ainda assim são deveras preocupantes os números. Só as inspecções periódicas e o melhor nível de qualidade das estradas, no geral, permitiram que a situação não se agravasse mais, juntamente com a própria evolução dos veículos que cada vez mais são pensados de forma a prevenir e mesmo minimizar situações de risco.
Há, no entanto, este factor do civismo, que teima em crescer em sentido inversamente proporcional aos restantes, muito resumidamente descritos atrás, como que a contrariar o sentido natural das coisas.
Portugal é um dos países com maior taxa de sinistralidade nas estradas; é um dos poucos povos em que imperam assumpções infundadas, como que se o acto de conduzir fosse uma ferramenta de afirmação social.
Existe esta expressão, «diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és», que quanto a mim ficaria mais completa e até mais acertada se lhe juntássemos o factor «civismo», como «diz-me com quem andas e como conduzes, dir-te-ei quem és».
O civismo encerra por si só muito daquilo que nos caracteriza, e pessoalmente não estou preocupado com a caracterização dos concidadãos condutores, desde que essa caracterização não interfira com a segurança de outros, pois liberdade para sermos aquilo que quisermos, nós temos, mas liberdade para permitir que se utilize essa liberdade para negligenciar o nosso comportamento e por em risco a liberdade de outros, isso nós não temos.
Façam um favor a vós próprios e principalmente a todos: conduzam com calma e segurança, não só neste Natal, mas sempre.
João José M. Tomásio ;)
Domingo, 21 de Dezembro de 2008
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