Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Prepotência e arrogância q.b.

...

Partidarismos à parte, falo-vos do ser humano. Falo-vos da boa índole, da boa educação, do sentido de oportunismo e até mesmo e porque não... do sentido de Estado. Falo-vos do respeito pela mulher (não menosprezando de modo algum a classe) falo-vos do respeito colectivo de uma pessoa perante um país. Volto a relembrar...partidarismos à parte.
Falo-vos de...JOSÉ SÓCRATES, do alto do seu pedestal...da sua arrogância, da sua falta de capacidade de aceitar críticas, daquele que por vezes se esquece de onde está e para que efeito lá está.
E é isto o nosso 1º Ministro:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=382511&rss=0


Por: Carlo Carvalho

11 comentário(s):

Escorpião disse...

Amigo Carlo, esta forma de estar não é novidade... falo-te do tempo em que o dito Sr. era ministro do Ambiente.

al-khawarizmi disse...

Este tipo de discurso/diálogo não é, para mim, novidade. Nem vindo da parte do Sócrates nem vindo da parte de outros elementos do governo, nem vindo de outros deputados ou figuras públicas eleitas sejam eles PS ou PSD.
Na verdade, é algo a que a classe política repete vezes sem conta, não nos iludamos!, basta sintonizar o canal ARtv para constatar a vergonha que é forma como a nossa representação popular é exercida.
É comum ver deputados, entre si, a trocar palavras de descridibilização mútua, naquele que é apenas e só o local onde acontecem (ou deviam) as principais decisões sobre a gestão do país. Passam tempo de mais a desenvolver técnicas de insulto e de apropriação de vocabulário «de guerra», ao invés de contribuírem para tornar as suas diferenças numa ferramenta de progresso, complementando-se.
Mas a sede de poder, e sobretudo a falta de pudor, é superior a tudo isso, e é esta gente que nos governa/representa.
No Público de ontem (bem como noutros jornais, acho), vinha a notícia sobre a intenção da Manuela Ferreira Leite em riscar o projecto TGV caso seja eleita.
Não pude deixar de reparar, na versão online do referido jornal, na quantidade de pessoas que se manifesta objectivamente a favor deste projecto, utilizando entre si (comentários) termos e argumentos muito ao estilo do encontrado na Assembleia da República, na senda da postura há já algum tempo adoptada, nitidamente com vista à preparação de caminho para a campanha eleitoral que se avizinha e da «necessária» descridibilização/ridicularização da líder da oposição.
Serve isto para dizer o seguinte, em jeito de análise:
1) Não estou com isto a defender a Manuela Ferreira Leite, quem me conhece sabe o que acho dela, não passa de uma oportunista à procura de protagonismo.
2) Acredito no TGV, sim, mas a longo prazo ou a muito-longo prazo, dependendo directamente da fluidez com que outros aspectos da nossa economia/sociedade forem sendo resolvidos. Não acredito no TGV, ou na sua prioridade hoje, como não acreditava em 2003/2004 quando o Durão Barroso e a Manuela Ferreira Leite o defendiam, pois hoje, tal como nessa altura, temos no país assuntos sociais e económicos por resolver, assuntos graves e prioritários, aos quais os sucessivos governos têm vindo a adiar, através de pseudo-pacotes de medidas rebuscadas e pontuais que se têm revelado, inequívoca e previsivelmente, infrutíferas. Não é sequer por uma questão de crise económica, por baixas de liquidez dos principais actores do cenário económico, já que aqui entendo parte das políticas de Sócrates – o investimento público pode ser uma boa alavanca para a economia -, simplesmente não entendo que políticas são estas que contemplam benefícios a grupos reduzidos de cidadãos/grupos económicos, em detrimentos de outro grupo, este maioritário, de cidadãos/PME’s, que todos sabemos são quem realmente interfere quer no PIB do país que, mais importante ainda, no RNB, quanto a mim o principal indicador do estado da economia portuguesa, incompreensivelmente(ou talvez não) esquecido ou, pelo menos, desvalorizado.
E nem é preciso entrar pela porta das políticas sociais, pois esse assunto, por si só, é (devia ser) argumento suficiente para congelar projectos como o TGV.
3) Pelo teor e incidência dos comentários no referido jornal, a primeira sensação que me ocorre é a de que são pessoas que, de alguma forma, têm interesse na execução do projecto. Isso leva-me a pensar, novamente, na questão dos lobbys. Não me admiraria nada que, quer partidos políticos, quer pessoas relacionadas com empresas de construção e tecnologia, fizessem destes locais (o espaço público de jornais, blogs, etc) um dos sítios principais onde se desenvolve propaganda política e lobbyistica, ambas obviamente camufladas – poderei estar enganado, não digo que não, mas é muito estranho que tanta gente concorde com a urgência deste projecto, que envolve verbas tão avultadas (ainda que parcialmente financiado por Bruxelas), quando – em resumo – o país carece de necessidades urgentes em áreas de importância vital quer para a sociedade quer para o próprio desenvolvimento económico-social dessa mesma sociedade (saúde, educação, condições de trabalho, etc etc).

Um bom ano a todos.

Darwin disse...

Sócrates (o filosofo) incentivou várias vezes os amigos a apresentarem-lhes dificuldades e objecções e aconselhou-os a não se apressarem a concordar com ele.
Já o nosso Sócrates (salvo seja), aconselha a que lhe dêem razão antes de pensar. Digo eu, que não sei filosofar.
Eu até concordo, que o País precisa da parte dos deputados da Assembleia, de respostas e não de diagnósticos partidários carregados de idealismo. Mas Sócrates devia compreender que estamos em ano eleitoral. Está sem a menor paciência para ser questionado em nada.

A intervenção televisiva da Dra. Manuela Ferreira Leite esteve longe de ser melhor.
A nulidade que foi como ministra quer da educação, quer das finanças, não trouxeram, nem mostraram competência a Manuela Ferreira Leite.
Numa altura em que o país enfrenta uma crise, seja qual for a realidade em que se vive, tudo indica que tem regras; e que a realidade, tem pelo menos uma parcela inteligível, compreensível, a partir da qual se pode gerar conhecimento, fazer previsões, construir e planear, coisas capazes de influenciar a nossa vida. Mesmo em momentos eleitorais assiste-se à total ausência de ideias, onde o importante é a imagem dos candidatos, sempre fiscalizada pelos comentadores profissionais e jornalistas (com foco na postura e na pose), e os "soundbytes" que emitem, rejeitando aqueles que tentam formular um raciocínio minimamente coerente. Mas se calhar sou só eu a ter esta opinião.

Tomasio disse...

Sim, também me parece que os políticos gozam de regalias a mais, não só os da Assembleia da República, mas (quase) todos por todo o lado.
Têm imunidades a mais, e isso vê-se quer pela quantidade de debates acaloradamente tidos, que muitas vezes descambam para baixas trocas de «mimos» pessoais, quer pela descaradeza com que justificam o injustificável, para defenderem uma imagem que se pretende imaculada e assim continuar a enganar o povo.
Acho que não se aproveita ninguém, no actual cenário político em Portugal, tal é o desplante que marca as suas intervenções.
Parece-me que o problema não são os políticos, em si, mas sim o próprio sistema democrático. Acho que a crise está aí; o ser humano sempre foi corrompível, e os políticos não são menos humanos que ninguém, pelo contrário, já que normalmente estão em lugares de poder.
Precisamos de uma mini-revolução que pusesse ordem nisto e mostrasse a esses senhores que interesses privados não se deviam misturar com interesses públicos.

Zeus disse...

Com isto tudo vou esta semana mesmo tratar de mudar o meu cartão de eleitor cá para a terrinha.
Desta vez...vou votar.

Tomasio disse...

Eu tenho andado atento aos desenvolvimentos, económicos e sociais bem como políticos, do país, e tenho dedicado algum tempo - pouco - a pensar nos assuntos que integram estas esferas. Entre outras coisas, um dos aspectos que mais rapidamente resulta destas incursões resume-se a uma palavra: decepção.
Ainda não sei bem se pelo pouco crédito/confiança relativa às pessoas que constituem a política em Portugal (e mesmo no Mundo), se pela forma como os sistemas político-partidários estão implementados, se, ainda, pelas cada vez mais aparentes incongruências do sistema democrático. Tenho algumas teorias, sim, mas apenas isso, porém não são certezas.
A única certeza que tenho é que tenho dúvidas sobre para quem irá o meu voto nas próximas eleições, seja nas legislativas seja nas autarquicas ou nas europeias.
Provavelmente vou mudar radicalmente o meu sentido de voto, - se com PS e PSD isto dificilmente melhora, excluindo o cenário deles próprios enquanto governantes alternativos entre si e bastante propensos a deixarem-se «enluvar» em negócios que a todos interessa menos aos desígnios do país, como que se lhes estivessem a apontar algum revólver de plástico à têmpora obrigando-os a tal! -, isto é, estou seriamente a pensar dar o meu voto de confiança a quem nunca governou neste país. Será uma forma de protesto, em primeira instância, mas será também uma forma (quase-irreflectida eu sei) de agradecer aos Bloquistas por todas as vezes que colocam a boca-no-trombone.
Nos Verdes não, apesar de apreciar e praticar uma vida ecológica, não só em consciência mas dentro das possibilidades; na CDU «no way», será mais por isso; no PP.. não, já me provaram que são ainda piores que os do costume.
É assim amigos, decepção, é o que eu sinto ao olhar para o estado do país.
Razão tem o grande Zé Mário Branco no seu realíssimo FMI!

Darwin disse...

Vou votar em quem, amigos Zeus e Tomasio?
Eu, que sempre defendi e defenderei a democracia, não sei como poderei votar nas próximas eleições, pois perdi a confiança nos dirigentes políticos.
Voto no CDU? Não, porque não gosto de cartilhas de pensamento único …No BE? Sou contra o populismo...No PP? Isso nem pensar... No PSD? Não, porque estão cada vez piores... a sua líder, é um belo exemplar dos políticos de pacotilha, que não tem qualquer ideia para o País, por isso não poderá ser alternativa a ninguém. Aliás a senhora está a tornar-se numa anedota do disparate político nacional.
Digam-me então, em quem eu hei-de votar?
Pela primeira vez, desde 1974, só vou votar nas eleições autárquicas.

Tomasio disse...

De facto, Darwin, estamos perante um beco sem saída. Decepção, insisto, é o que sinto.
Farto de saber de notícias que se sintetizam num repetitivo «dejà vu», a falta de transparência, como que uma rainha continuadamente coroada a cada 4 anos, ou interesses camuflados e dissimuladamente satisfeitos tudo em nome das legítimas aspirações de um Povo.
E é este o Povo, núcleo de qualquer Democracia, é ele o único Rei, mas que não passa de Rei sem coroa.

FN disse...

Apesar de não ser nenhum perito, à primeira vista tendo a concordar com alguns comentários que criticam os nossos políticos.
E, infelizmente, é esta gente que representa a nata dos nossos partidos políticos. Gente que veio das jotas e das câmaras e que depois vai para o Governo, para as direcções gerais e regionais, para as empresas públicas e para os bancos etc. etc…. Ora, com gente desta, que coloca os interesses partidários e pessoais acima da sua consciência e dos interesses nacionais, não se pode esperar outra coisa que não seja o que estamos a assistir diariamente.
Como se vê pelas manifestações, a maioria dos portugueses está convencida de que o primeiro-ministro é mentiroso. Eu não partilho desta opinião. O nosso primeiro-ministro tem é uma maneira muito própria de contar a verdade aos portugueses. Gosta de nos contar a verdade do avesso.
Perguntamo-nos como é que ele consegue enganar os seus próprios genes.
Bem para terminar, segundo as últimas sondagens a mim próprio, a alternativa é o partido do Saramago (voto em branco).

Zeus disse...

Sem nada a esconder revelo-vos o meu voto: BRANCO.
Da direita mais radical à esquerda mais extremista, venha o diabo e escolha. Uns pela incopetência, outros pela arrogância, outros pela demagogia. Como não confio em ng da actual cena política e para n deixar de participar nas eleições, o meu voto vai em BRANCO.

Darwin disse...

Eh pá, só agora é que reparei que no meu post, só fiz criticas à oposição. Por isso gostava de deixar aqui bem patente a minha indignação contra o Governo... Espera lá! Não posso deixar assim a indignação em qualquer lado, que isso é coisa para me fazer falta... è que eu sou um gajo que gosta de se indignar com alguma regularidade. Pronto, agora mais a sério…
A crise económica mundial (porque a portuguesa é mais antiga) convenceu-nos da necessidade do Estado fazer alguma coisa. Alguma coisa, para estes senhores, é emprestar dinheiro a bancos e a empresas escolhidas pelos governantes. Assim o governo, os ministros, os secretários de estado, respectivos assessores e demais funcionários ligados ao poder, terão uma palavra a dizer sobre a forma como os negócios deverão ser conduzidos. Sobre quem deve ser nomeado e quem deve ser afastado.
O resultado do capitalismo de Estado em que já estamos embrenhados dará nisto: Um conluio entre governos e empresários. Corrupção, dinheiros perdidos sabe-se lá onde e por quem, negociatas, muito jogo escondido. Desfazer isto tudo dará muito trabalho no futuro.

Já quanto ao projecto TGV permitam-me discordar. Uma das maiores fragilidades do país é a falta de alternativas ao transporte rodoviário. Não podemos esquecer que o Turismo é uma forte ferramenta de crescimento da economia, por isso para Portugal é estratégico ficar dentro das redes europeias de transporte.
Estas questões têm que ser analisadas não só à luz das nossas dificuldades orçamentais actuais, porque se assim fosse ainda hoje não tinha sido construída a rede de ferrovias que já existe e que deve ter provocado muita celeuma na altura do lançamento da primeira linha, para não falar da segunda, com os cofres do estado vazios, num país de caminhos de cabras.
Numa era como a actual, em que a progressiva raridade de combustíveis fósseis e o inevitável aumento do seu preço, mesmo que tenhamos assistido a uma bolha especulativa, que de repente perdeu volume, nestes últimos anos, há que pensar em alternativas aos transportes rodoviários e aéreos, tanto de pessoas como de mercadorias, grandes consumidores desses carburantes, não só pelos seus custos, da dependência energética e dívida externa, mas também pelo que eles implicam como fonte de degradação do ambiente.
A ter de escolher entre a construção do TGV e do novo aeroporto de Alcochete, escolheria o TGV como investimento mais seguro para um médio e longo prazo, porque se tivermos em conta o aumento muito significativo dos combustíveis, corremos o risco de que se construa uma infra-estrutura que se transformará num aeroporto fantasma, pois os preços dos transportes aéreos serão incomportáveis para muitos dos que hoje os utilizam.
Pelo TGV podem chegar os turistas que, no caso de uma crise de combustíveis mais aguda, poderão não ter condições para utilizar os habituais aviões ou automóveis.
Estas parecem-me algumas razões para ajudar a reflectir sobre o TGV.